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O professor da Unicamp Paulo Franchetti lançou no começo de julho Oeste (Nishi), livro de edição bilíngüe traduzido para o Japonês pelo mestre Masuda Goga, falecido dias antes de a obra chegar ao público. Um dos expoentes da atual geração de haijins brasileiros, Franchetti defende que mais do que registrar pela citação de um kigo a fotografia de um determinado acontecimento ou instante, situando o poema numa das quatro estações do ano a exemplo das melhores escolas e autores orientais, o haicai em Português e quem o escreve devem tentar obter algo radicalmente novo. “A novidade que o haicai oferece a um ocidental (...) é o fato de ele ter por objetivo não a beleza da imagem ou da combinação dos sons, mas o registro ou o despertar de uma percepção muito ampla ou intensa nascida de uma sensação", escreveu. "Esse me parece o núcleo da forma do haicai. E é o que julgo que vale a pena tentar incorporar”.
Um traço dos poemas selecionados para o livro chamam a atenção: muitos evocam a saudade que Paulo Franchetti demonstra sentir de antepassados, ou são ainda remissões à terra natal, enquanto outros referem-se a situações que ele próprio viveu, como os belos textos em pelos quais narra que o pai assobiava em dias quentes e conta ter acordado suado após sonhar novamente com um banho de rio. Em geral, o haicai deveria dispensar evocações sentimentais e referências diretas ao próprio autor, mas Franchetti quebra esta regra de maneira bastante sensível, demonstrando que o bom haicai também pode ser aquele que surge sem termo de estação e contrariando normas clássicas, afirmando-se apenas pelo conteúdo, ou o "sabor" de haicai, que o próprio Franchetti menciona em estudos. Abaixo está um dos haicais de Oeste (Nishi), um perfeito exemplo do registro de uma sensação e nada, nada mais:
Vacas marrons
Num pasto marrom --
Entardecer de inverno.



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